Black Friday: veja como não comprar ‘tudo pela metade do dobro’

A poucos dias da Black Friday – onde lojas físicas e online oferecem ofertas imperdíveis – todo cuidado é pouco para não desembolsar dinheiro para comprar produtos, como alertam os memes, “pela metade do dobro”. Especialistas ouvidos pelo jornal O DIA, na reportagem de Marina Cardoso, alertam os consumidores para não caírem no conto do desconto maquiado.

Um dos principais pontos é prestar atenção aos preços antes do evento promocional, alerta Paulo Simões, do escritório Basile Advogados. “Em anos anteriores, dias antes da Black Friday, lojas aumentaram o valor dos produtos, o que fez parecer com que o desconto fosse generoso na data, quando, na verdade, correspondiam ao valor real do item. A prática é ilegal e pode gerar reclamações nos Procons e até ações judiciais se o consumidor for lesado”, afirma.

Uma dica importante é estar ligado nos preços, principalmente nas ofertas anteriores. O ideal é sempre guardar os anúncios de jornais, revistas, encartes e até mesmo tirar fotos das páginas eletrônicas onde as promoções aparecem.

“De posse das ofertas anteriores é possível exigir que as empresas cumpram e vendam o produto, conforme o Código de Proteção e Defesa do Consumidor em seu Artigo 35, exigindo cumprimento forçado da obrigação, aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente e rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos”, explica o advogado.

O consumidor também pode se deparar com problemas na compra. “Muitas vezes, finaliza a aquisição e dias depois é informado que não possui mais a mercadoria no estoque. Nesses casos, o cliente pode exigir o cumprimento da publicidade veiculada, com a entrega do produto adquirido, ou optar pela devolução integral do valor pago, além de eventual indenização por perdas e danos”, orienta Alan Melo, da Vieira Cruz Advogados.

Dicas para fazer uma compra segura

Para evitar que o consumidor tenha dores de cabeça com o produto ou serviço adquirido na Black Friday, há sites que fazem comparações de preços, o que ajuda a não cair em armadilhas de preços camuflados, como o portal www.blackfriday.com.br. Além disso, a empresa de soluções digitais Proxy Media criou o “Black Friday de Verdade” com a proposta de oferecer descontos reais.

“As marcas assinaram um compromisso para seguir os termos do órgão de defesa do consumidor e oferecer compra vantajosa e segura”, explica Francisco Cantão, sócio da Proxy Media.

Ao receber e-mail com promoção, verifique o endereço eletrônico para se certificar se a empresa é conhecida. Se houver erros gramaticais na mensagem ou links duvidosos é sinal para ficar alerta. Caso tenha dúvida, entre no site separadamente – sem ser pelo link enviado.

“Muitas fraudes ocorrem na hora do pagamento. Lojas que apenas aceitam transferência bancária ou boleto tornam-se suspeitas, pois essas modalidades não oferecem uma possibilidade de estorno posterior. Ao usar o cartão de crédito, as administradoras possuem maior poder de ação”, afirma Paulo Simões.

Confira as ofertas

– Shopping Bay Market

Na Calçapé, sandália de R$89,90 sairá por R$49,90 e tamanco de R$79,90 por R$49,90. Na Mahallo, vestido de crepe R$69,90 por R$39,90 e vestido longo de R$69,90 por R$49,90.

– Peixe Urbano

Ipad Air com 32GB ou 128GB sairá a partir de R$ 2.499,90 e estadia no resort Thermas de Olímpia em São Paulo com até 7 noites para dois adultos e cortesia para até três crianças de até 12 anos sairá a partir de R$ 129.

– Shopping Jardim Guadalupe

Mochila de R$159,90 custará R$119,90 na Bagaggio.

– West Shopping

Jaqueta feminina de R$ 259,99 por R$ 119,99 na Hering e perfumes Very Irrésistible Rose Givenchy (75ml) e Le Male Popeye Jean Paul Gautier (125ml) de R$ 449 por R$ 219 cada um.

– Américas Shopping

Na Santa Lolla, sandália alta ‘Nó Ouro’ de R$ 249,90 por R$ 99,90 na Santa Lolla e armação de óculos Mormaii de R$ 400 por R$ 180 na Ótica Golden do Bairro.

– Via Varejo

Nas lojas da Casas Bahia, com o cartão próprio o pagamento pode ser em até 14x sem juros em produtos selecionados e no carnê em até 24x, nessa condição os clientes só começam a pagar em 2018. Para o Ponto Frio, no site e nas lojas físicas o cliente que possuí o cartão da bandeira pode parcelar as compras em até 18x sem juros também para produtos selecionados.

 

Pequenos negócios para grandes mulheres em NY

Por Viviane Faver
Especial de Nova York

Empreendedoras brasileiras em Nova York comemoram os 30 anos da lei federal HR 5050 – que estimulou o empreendedorismo feminino e criou a rede Women’s Business Centers (WBC). A aprovação da lei abriu oportunidades para mulheres, inclusive as brasileiras, idealizarem o próprio negócio na terra do Tio Sam.
Há 23 anos, a ex-estilista Cristina Duarte largou o segmento de acessórios da marca Cantão e investe em uma joalheira artesã em NY. Há sete anos, ela abriu a loja Studio DuArte, no East Village, e um ano a Artist&Flea, no Soho. Cristina tentou abrir um negócio no Brasil, mas desistiu devido a burocracia e o custo alto para investir. “Paguei US$100 e em menos de duas horas abri minha empresa. Aqui eles incentivam e facilitam o pequeno empresário, diferente do Brasil que cobra uma burocracia desnecessária” conta Cristina.
A mineira Marcela Andrade se mudou para Nova York em 1986. Hoje ela é presidente de uma organização sem fins lucrativos, a Sewing The Roses, e da grife de roupas e acessórios Marcela Carvalho, no Soho.
Assim como Cristina, ela tentou abrir um negócio no Brasil, mas desistiu devido a dificuldade para o pequeno empresário. “Aqui há vários cursos gratuitos e agências preparadas para ajudar no processo, e os bancos têm ofertas de empréstimos acessíveis”, comemora Marcela, que também é artista plástica e trabalha como professora no Flushing Town Hall.
No dia 8 de março desde ano uma de suas obras de arte  representou o Brasil em Bangkok. O embaixador do brasil na Tailândia Gilberto F. G. de Moura oficialmente a recebeu em sua casa para um almoço celebrando o trabalho de Marcela no evento La Femme no River City Bangkok.
Assim como Cristina, ela tentou abrir um negócio o Brasil, porém desistiu devido a dificuldade que o governo brasileiro coloca para o pequeno empresário. “Aqui há vários cursos e workshops gratuitos e agências preparadas para ajudar você no processo, incluindo advogados para perguntas e conselhos. Os bancos tem ofertas de empréstimos acessíveis. Acho muito fácil e rápido para um empresário começar seu negócio aqui. No Brasil há uma burocracia que dificulta este processo tornando-se lento e  desanimando o empreendedor”, relata.
Marcela, que trabalhou nos anos 90 com as top models da época como Linda Evangelista, Cindy Crawford, Carla Bruni, Naomi Campbell,  e designers como Donna Karan, Calvin Klein, Carolina Herrera nos bastidores dos fashion, mostra hoje sua criatividade na roupas que vende – todas pintadas por ela a mão.
“As expectativas para esse ano é fechar com um crescimento de 80%  em relação ao ano de 2016.  Expandir um pouco mais o nome da grife solidificando a assinatura dos meus produtos. Quem sabe uma representação no Brasil?”, anima-se.
Indo em direção ao circuito das artes no Brooklyn encontramos Larissa Ferreira, fundadora e diretora executiva da AnnexB, a primeira organização baseada em Nova York a oferecer um programa de residência artística exclusivamente para artistas brasileiros. E também embaixadora do The55Project, um projeto com componentes sociais e educacionais que desenvolve atividades culturais em Miami, Nova York e São Paulo.
Formada em Administração de Empresas, trabalhou por 10 anos em diferentes empresas e setores no Brasil, incluindo mercado financeiro e varejo. Quando se mudou para NY e 2015 para fazer um mestrado em Arts Administration teve a oportunidade de trabalhar durante uma exposição de uma artista brasileira. “Esta experiência de trabalho me fez mudar o foco da minha carreira e decidi encontrar formas de impulsionar o reconhecimento internacional dos artistas brasileiros, que, por sua vez, promoveriam a cultura brasileira no exterior”, explica.
Ela completou recentemente o primeiro ano de programação da AnnexB e conta que empreender é um desafio constante, demanda energia, persistência e visão. Até este mês foram produzidos o trabalho de 34 artistas brasileiros em Nova York, com 8 deles participantes do programa de residência. Os projetos de arte incluem: 18 murais, 5 exposições, 2 performances, 2 oficinas, 2 lançamentos de livros, bem como inúmeras visitas ao ateliê.
“Desses 34 artistas 18 são mulheres, com 7 delas (no total de 8 artistas) participantes do programa de residência. Toda nossa equipe é formada por mulheres e grandes parceiros que tivemos até então, também são mulheres. Essa união sem dúvida nos fortalece”, ressalta Larissa.
Em relação ao processo de abertura do seu Atelie, Larissa conta que o processo burocrático para abrir seu negócio em Nova Iorque a  surpreendeu positivamente, assim como os incentivos para startups. “ Em Nova York, existem diversos incentivos a arte e cultura. Na minha opinião, o grande diferencial para as organizações de artes sem fins lucrativos nos Estados Unidos é a cultura de doações individuais e incentivos fiscais do país.”
A primeira temporada da AnnexB, 2016-2017, concentrou-se em artistas cujas práticas envolvem a arte urbana. “Em 2018, nosso programa de residência se concentrará na prática social, portanto, aberto a artistas brasileiros trabalhando em todas as formas de arte social, como ativismo, preocupações ambientais e climáticas, questões de raça e gênero, imigração, comunidade e engajamento público. Inclusive, vamos divulgar em breve o nosso Open Call para 2018. Nosso objetivo para o próximo ano é solidificar nosso programa de residência e se tornar um satélite: um anexo, para arte brasileira em Nova York.