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Por Viviane Faver, de NY
Especial para Conta-Gotas 

Abrir um negócio em outro país, como Estados Unidos e Canadá, por exemplo, é uma das formas mais fáceis de conseguir o visto de permanência e até depois de algum anos a conseguir a cidadania. Atentos a isso, brasileiros estão invadindo a América do Norte empreendendo nas mais variadas áreas, como comida, jiu-jitsu, consultoria e até cervejaria.
Mas empreender nem sempre é fácil. Transformar uma ideia em algo concreto não é simples e exige esforço. A decepção com a conjuntura brasileira motivou Victor Fernandes, de 23 anos, morador da Penha, Zona Norte do Rio, que sonha em deixar o Brasil, a juntar dinheiro para abrir um negócio no Canadá. Há dois anos, e com investimento de R$ 4 mil, Victor começou a vender pastéis e bolos em potes, em um trailer para juntar uma grana e viajar para as terras do norte.
“Infelizmente, empreender no Brasil ainda é muito difícil. O MEI (registro de microempreendedor individual) facilita ao reduzir a carga tributária do pequeno empreendedor, mas o investimento no negócio é alto e os custos também”, avalia o empreendedor.
O sonho de Victor já é uma realidade para muitos cariocas que decidiram largar tudo e investir no Canadá. Atualmente, entre as mais de 20 formas possíveis de deixar o Brasil, o empreendedorismo ganha destaque.
O empresário e atleta Bruno Fernandes, que há oito anos abriu a primeira franquia da Academia Gracie Barra (https://graciebarra.com/granby-quebec-canada), em Montreal, na província de Quebec, é um empreendedor de sucesso. “O investimento inicial de 80 mil dólares canadenses (aproximadamente R$ 230 mil) foi feito a partir de economias pessoais e financiamento. O Canadá é um país que estimula o empreendedorismo, portanto, existem algumas opções de financiamento para se começar uma pequena empresa”, orienta Fernandes.
Na cidade de Toronto, centro financeiro do Canadá, é possível comprar a cerveja artesanal carioca OverHop (https://www.facebook.com/overhopcanada/), da empreendedora Paty rios, uma das donas da marca. “Já estávamos com tudo planejado para mudar para Toronto com nossa família, quando, por coincidência, ganhamos duas medalhas no Mondial de La Bière do Rio de Janeiro em 2016, apenas três meses após nosso lançamento. Daí, fomos convidados para expor as cervejas no Mundial do Canadá do ano passado e, devido ao sucesso, resolvemos investir no mercado canadense.
“Vendemos tudo e usamos nossas reservas também, pois ainda não temos crédito nenhum aqui”, afirma Paty. A empreendedora explica que o investimento inicial foi de 120 mil dólares canadenses, em torno de R$ 330 mil.

DICAS

Para quem quer empreender no Canadá um dos requisitos básicos – e que também vale para outras seleções de imigração – é falar inglês ou francês, os dois idiomas oficiais do país. “Além de comprovar a fluência, a dica para quem quer empreender é se destacar dos concorrentes. No meu caso, eu abri uma consultoria de educação (https://www.facebook.com/rosanerodriguescanada/), que não cobra taxas e com venda direta para escolas”, conta a empreendedora e jornalista carioca, Rosane Rodrigues, que há dois anos mora no Canadá e é a única brasileira a fazer parte do time dos embaixadores oficiais da cidade de Montreal. “Coisas simples, tradicionais do Brasil, como os brigadeiros de chocolate, fazem muito sucesso e são novidade no Canadá”, diz Rosane.
Os programas federais Express Entry (https://www.canada.ca/en/immigration-refugees-citizenship/services/immigrate-canada/express-entry.html), para trabalhadores qualificados, o Self-Employed Persons Program (aberto para autônomos como escritores, pintores e artistas em geral) e o Start-Up Visa (para quem quer começar um negócio) são os mais procurados pelos brasileiros.
Além disso, cada província canadense tem autonomia e pode criar um projeto próprio, como Quebec para empreendedorismo. A consultora de imigração Mariana Chagas, do Liaison Canada Canadian Immigration Services (https://www.liaisoncanada.com/), explica que, para empreender em Quebec, o candidato deve obter o CSQ (Certificat de Selection du Quebec) e apresentar exames médicos e verificação de antecedentes criminais.
“O candidato pode criar seu próprio negócio ou comprar uma empresa que já exista e deve administrá-la em tempo integral diariamente. Se escolher ter sócios, ele deve ser dono de pelo menos 25% do negócio e colocar um investimento de no mínimo 100 mil dólares canadenses no empreendimento e comprovar patrimônio líquido de 300 mil dólares canadenses. Também se exige do candidato que ele empregue um residente de Quebec (não podendo ser membro da família) nos primeiros três anos de operação do negócio”, finaliza a consultora.